Treinos para cães e as aplicações na vida doméstica e social.

Olá pessoal! Hoje vamos falar de treinos na prática e como algumas sessões diárias, juntamente com uma rotina bem definida, podem ajudar a criar um cachorro mais educado e mais agradável de conviver. A expectativa de ter um cão bem educado é alta, ou melhor, bem alta para os que se dizem amantes de cães. Todos nós acreditamos que os cães são essas criaturas divinas que só precisam de 15 minutos de conversa e carinho para serem os melhores companheiros que qualquer ser humano poderia sonhar. Infelizmente não é bem assim…

Os cães são criaturas de hábitos e sabem testar as águas para formar esses hábitos, seja na nossa presença ou não. Um dos maiores erros que podemos cometer é acreditar que os cães, sozinhos, vão fazer boas escolhas. Esse nosso desejo tem por trás uma expectativa inconsciente de que não precisamos participar ativamente desse processo, já que os cães são instintivos e vão aprender com o tempo. Eu poderia falar sobre diversos casos aonde essa intenção criou resultados pavorosos. Cães com comportamento destrutivo, cães sem habilidade de relaxar, cães que latem para qualquer coisa, cães que avançam em pessoas estranhas e por aí vamos. As fórmulas do “deixa ele se virar” e “com o tempo ele aprende” já se provaram falhas, por isso vamos falar aqui de soluções.

A idéia de treinos diários, para muita gente, traz um tom robótico, que muitos acreditam se sobrepor a essência de cada cão. Isso simplesmente não é verdade. Pensar em treinamento é pensar em educação e criação de hábitos que vão ser úteis na inclusão do cão na vida de família, por isso é importante pensar no que vamos treinar. Existem diversas práticas, mas hoje vamos focar no que é útil para a vida de um cão doméstico em família.

Recall (chamar o cão de volta para você) + sentar.

Uma das primeiras coisas que eu gosto de trabalhar no treinamento do cão é a idéia de ele voltar para mim. Seja qual for o lugar ou situação eu quero que meu cachorro saiba que eu sou relevante e quando eu o chamar ele deve parar o que estiver fazendo e voltar. Esse treino pode ser feito em qualquer lugar, até mesmo na sala da sua casa, usando uma guia e uma coleira. Eu particularmente uso uma guia de treinamento mais a prong collar.

Nesse vídeo, da empresa Julie’s K9 Academy, vocês podem ver esse treino sendo feito na prática. Vejam como é importante usar as palavras com direção para que o exercício fique super claro.

Caminhar na guia, ao lado, sem puxar.

Essa é uma tarefa que parece quase impossível para muitas famílias que tem cães, quando não deveria ser. O grande problema que muitos enfrentam aqui é tentar estabelecer esse grau de comunicação sem os equipamentos de treinamento adequados. Andar na guia é como uma dança de dois, ou seja, existe um padrão de resposta que queremos dos cães quando nos movimentamos. Isso depende 100% da forma como comunicamos o que queremos, já que os cães não falam nosso idioma.

Equipamentos como coleiras peitorais, e até mesmo coleiras lisas, podem não ser favoráveis já que não permitem a introdução de pressão quando o momento se faz necessário. É aqui que a e-collar (coleira eletrônica) se faz tão útil, já que ajuda exponencialmente essa comunicação. O segredo para manter um cão caminhando na guia ao seu lado é deixar claro que esse é o único lugar confortável para transitar. Cheirar todos os postes, latir, andar em todas as direções, pular nas pessoas e etc. passa a não ser mais tão prazeroso quando inserimos uma consequência para cada uma dessas escolhas. Isso é muito simples com a e-collar para sinalizar e a prong collar para direcionar.

Nesse video, também da empresa Julie’s K9 Academy, vocês podem ver esse conceito na prática com uma das cachorras em treinamento.

Deitar quando solicitado.

Parece bobagem mas muitos cães tem muita dificuldade com essa prática, especialmente quando queremos mais duração. O grande motivo pelo qual isso acontece é porque deitar é, por si só, uma posição mais vulnerável, logo, muitos cães evitam fazer isso. Outro ponto importante aqui é, muitos cães apenas aprendem a deitar quando existe comida envolvida, e logo que a comida desaparece eles voltam a levantar. Isso faz com que o exercício jamais ganhe a devida duração e o real objetivo, que é relaxar por um período de tempo mais longo.

Nesse vídeo, da empresa Pawsitively Calm, vocês vão ver como fazer a introdução desse exercício com a prong collar, uma guia e muitas repetições. Muita gente não gosta de ver o cão confuso nas primeiras rodadas, porém, em uma simples sessão o exercício fica claro e o cão passa a entender o que é esperado dele. A idéia de inserir pressão nesse treino já traz consigo o conceito do comando ser “não negociável” ou seja, ele precisa fazer para desligar a pressão, não apenas porque vai ganhar comida ou carinho. Isso torna a resposta do cão mais previsível e mais consistente já que existe uma consequência envolvida.

Place.

Uma vez que seu cão aprendeu a deitar você pode introduzir o exercício do place, que nada mais é do que seu cão ir para um local, deitar e ficar por um período de tempo mais longo. Cães que já sabem deitar provavelmente vão ficar mais à vontade no place com mais conforto, por isso eu gosto de introduzir esse exercício depois do deita.

Place é uma das práticas mais importantes para o cão doméstico. Cães de família dividem nosso espaço pessoal conosco o tempo todo, por isso eles precisam aprendem aonde ficar e como ficar enquanto as coisas acontecem à seu redor. Bons exemplos de aplicabilidade aqui são momentos de visitas, momentos de refeição entre outros afazeres que não necessariamente incluem o cão ativo no contexto.

Eu gosto de fazer esse exercício usando a prong collar para direcionar e depois introduzindo a e-collar para desencadear a ida até o espaço. A e-collar também é super útil para corrigir o cão quando ele tenta sair do espaço antes do tempo, e também é um ótimo marcador para liberar o cão do exercício.

Nesse vídeo, da empresa Pawsitively Calm, vocês vão ver um cão aprendendo o place pela primeira vez. Esse é um bom exemplo já que o cão em questão se mostra inseguro com a cama suspensa e sem a prong collar seria difícil manter ele bem direcionado para quebrar essa sensação.

O resumo desse artigo é simples: boas práticas definem bons resultados. Consistência é a chave. Não adianta fazer um dia e nunca mais fazer. Não adianta fazer apenas quando precisamos daquelas resposta do cão naquele exato momento. Tudo isso são práticas para a vida. Quanto mais prática mais simples o processo fica, e assim ele passa a se tornar parte da sua vida com seu cão.

O segredo é fazer esses exercícios terem aplicabilidade na sua vida real com seu cão, e usa-los de acordo. Lembre também que quando seu cão não puder ser supervisionado ele deve estar num local seguro, de preferência na caixa de transporte. Cães precisam de períodos de treino passivo e ativo e liberdade sem supervisão não ajuda em nada.

Aqui eu cobri apenas algumas das práticas básicas diárias para criarmos cães bem educados. Lembre, não precisa ser complexo nem difícil, mas precisa ser feito. Tudo que foi mostrado aqui pode ser implementado na rotina diária, nas doses certas. Algumas sessões todos os dias já trazem grandes resultados. Expetativas sem ações não produzem frutos positivos, apenas frustrações, então faça sua parte. Se você quer mais, faça mais! Mãos à obra!