Os latidos constantes e excessivos são uma característica comum de vários cães, e frequentemente vistos naqueles que já apresentam outros sintomas anteriores, como ansiedade, excitação, insegurança etc.

Lidar com esses cães pode ser um grande teste de paciência e uma grande oportunidade para vermos aonde e quando permitimos a criação de maus hábitos por conta de falta de orientação na educação dos cães.

Conviver com cães que latem de forma excessiva é no mínimo desafiador sem falar do incômodo que essa característica causa no convívio social, já que nossos vizinhos não gostam nada desse tipo de manifestação.

Existem muitos mitos que explicam os latidos excessivos como características de raças específicas, porém, na minha opinião, a raça define apenas um traço genético de características, personalidade e nível de energia juntamente com uma pré-disposição a efeitos colaterais quando as necessidades físicas e mentais do cão não são supridas. É o caso clássico do Pastor Alemão, um cão geneticamente criado para trabalho, com alta disposição física e incrível capacidade de absorção de informações. Esses cães são excelentes em busca e resgate, detecção de pessoas, objetos e cheiros, além de serem ótimos cães assistentes de pessoas com algum tipo de deficiência. Em todas essas circunstâncias o cão deve dispor de muito foco e atenção sem falar de um condicionamento físico considerável. Quando colocamos cães com essas características num ambiente doméstico, sem maiores desafios, sem orientação,  sem a devida interação, sem uma rotina de exercícios adequada, veremos a frustração, a excitação, o acúmulo de energia se manifestarem em latidos excessivos, entre outros sintomas.

Cães de raças pequenas, como Schnauzers, Spitz (ou Lulu da Pomerânia), Yorkshire Terriers, Chihuahuas, Jack Russels, entre outros, também estão na lista dos mais conhecidos pelo seu latido constante. Entre os pequenos, muitas vezes esquecemos que tamanho não é documento, e devemos pesquisar a origem das raças e entender melhor quais as pré disposições desses cães, pra que eles serviam, e como podemos direcionar a energia deles para atividades mais produtivas.

Como os sintomas são claros, vamos observar alguns pontos de atenção que nos mostram o latido excessivo como sintoma e não como causa de um problema;

  • Cães que latem compulsivamente quando o dono sai de casa – provavelmente esses cães não foram condicionados a ficar longe do dono, tendo toda liberdade em casa de seguir as pessoas o tempo todo, sem orientação devida quanto à respeito de espaço. Além disso, quando se trata de raças pequenas, as pessoas tendem a ficar com o cão no colo muito tempo, gerando uma insegurança e profunda dependência. Esses cães não tem auto confiança e não lidar com a ausência do dono.
  • Cães que latem em ambientes sociais e “pedem colo” para o dono – novamente vemos o traço de extrema dependência e insegurança do cão que foi condicionado a ficar sempre acolhido, sem orientação de como lidar com pessoas e outros cães em ambientes sociais.
  • Cães que latem no portão de casa – esses cães tem acesso ao portão ou grade da casa, e geralmente não tem atividades físicas e desafios mentais suficientes ao longo do dia, por isso o único estímulo que eles tem é o movimento do outro lado do portão. Para esses cães, como na maioria, o exercício físico apenas não basta, é preciso fazer uma série de ajustes na rotina diária do cão, incluindo exercícios de espaço e tolerância para que o cão drene o lado mental e aprenda novos hábitos também.
  • Cães que latem para visitas, campainha, ou interfone – esse alerta constante é um traço de instabilidade e mostra que o cão não aprendeu ainda a lidar com esses estímulos, e já criou maus hábitos.  Cada situação doméstica que o cão será exposto ao longo da vida, deve ser ensaiada e explicada na linguagem deles, para que o cão crie a associação correta sem ter reações adversas.

Nos exemplos acima podemos ver que em todos cenários está faltando orientação. Modificar comportamento não é uma tarefa simples e demanda bastante tempo, repetições e dedicação. Todos esses cães são muito amados, tenho certeza, porém, é preciso também educá-los para que eles apendam a lidar com situações do mundo urbano de forma positiva. Um resultado positivo requer um treinamento diário, consistente e eficiente. É preciso saber educar, corrigir e ambientar o cão da maneira certa, criando assim um equilíbrio no convívio doméstico e social.

Não subestime o problema de latidos excessivos como uma coisa pequena. Pode parecer bobagem mas é apenas o início de uma longa jornada de instabilidade para o seu cão. Reavalie o perfil do seu cão e veja se realmente você e ele querem conviver com esse sintoma para sempre. Amar é educar, sempre! Se você precisa de ajuda, busque um profissional e comece hoje um plano para ter um cão mais confiante, tranquilo e feliz!

Veja aqui alguns vídeos relacionados à esse tema;