Labrador com reatividade na rua: como resolver?

Olá pessoal! Hoje estou aqui pra responder uma pergunta enviada pelo canal do Youtube. Normalmente eu faço vídeos com as respostas, mas hoje, resolvi optar por uma resposta por aqui com mais detalhes. 

Segue a pergunta;

Educação Canina

Esse é um caso típico de um cachorro que em casa parece tranquilo, mas, na verdade não é. Na pergunta já existe uma indicação que a Laila entende que as visitas da casa são pra ela. Isso nos diz que falta uma orientação básica sobre como se comportar na presença de estranhos e/ou visitas.

Quando o cão acredita que toda a movimentação da casa requer sua intervenção, ele entende que a casa está sob seu gerenciamento, logo você, ser humano, não tem poder de intervenção. Porque isso é relevante já que o problema é na rua? Bom, se em casa a Laila gerencia as visitas e coordena a movimentação, porque na rua seria diferente? Em casa não existem outros cães e ela tem total controle sobre as pessoas. Na rua existem outros cães, outros estímulos, outras pessoas em um ambiente aberto que ela não consegue controlar, logo vem a explosão e a reatividade expressiva. 

Em casos assim é essencial avaliarmos cada detalhe de convívio e rotina do cão com a família. Tudo é relevante. Aonde o cão dorme, aonde e como ele se alimenta, o quanto de liberdade e permissividade ele tem, e como é a relação dele com os humanos da casa. 

De acordo com a pergunta, podemos ver que a Laila foi adotada e já vive com essa família há 1 ano. Muitos cães que são adotados, seja pela razão que for, acabam sendo recebidos pela família com muita sensibilidade e emoção. Nós humanos tendemos a nos prender em histórias tristes do passado e queremos representar a figura de salvadores, os seres do bem que vem pra salvar esses animais que tanto precisam de ajuda. 

Não há nada de errado em querer fazer o bem, porém, precisamos ficar atentos para, de fato, fazer o bem. Não podemos começar nenhuma relação, especialmente com cães, num estado emotivo frágil, ou vendo o outro (no caso o cão) como frágil. Quando embarcamos nessa jornada precisamos entender que nós devemos ser a fonte de fortaleza, orientação e proteção desses cães. Isso se conquista com uma boa educação, que inclui regras, limites e consequências claras para criar um convívio saudável para ambas as partes. 

Mas afinal, o que deve ser feito nesse caso? Independente de como essa relação começou, tudo pode ser mudado a partir de hoje. Vamos aos passos;

1. Reavalie sua relação com a Laila. Está na hora de tomar a frente e reorganizar a hierarquia desse convívio. Menos afeto, menos permissividade, mais orientação, mais disciplina. O nome do jogo é prevenção.

2. Elimine a livre circulação dentro de casa. Implemente o uso da caixa de transporte na rotina diária. Esse é o espaço aonde ela deve ficar quando não puder ser supervisionada. Ela deve dormir lá dentro, fazer as refeições lá dentro, e descansar lá dentro quando não estiver treinando ou fazendo qualquer outra atividade sim sua supervisão. Controle agora é fundamental. 

3. Inicie os treinos de controle de impulsos e respeito de espaço com ela. É essencial que ela aprenda a ter bons modos dentro de casa e priorizar sua orientação nas atividades ditarias. Não é o que ela quer quando ela quer. É o que você pede pra ela fazer que conta. Exercícios de duração com distrações vão ser muito bons pra ela. 

4. Reavalie o equipamento que está sendo usado na caminhada e nos treinos. O equipamento certo pode fazer uma diferença enorme na comunicação que você tem com seu cão, especialmente na fase de distrações e correções. Minha recomendação seria considerar a prong collar e/ou a e-collar como ferramentas primordiais de treinamento, não apenas pelo poder maior de orientação, mas também pela qualidade e durabilidade. 

5. Mude seu comportamento em relação à aproximação das visitas com a Laila. Lembre que visitas ficam na sua casa por algumas horas e tendem a ver seu cachorro com entretenimento. Elas agitam, brincam, deitam e rolam com o cachorro e depois vão embora. É você que fica com o problema na mão pra resolver depois. O cachorro é seu, a casa é sua, logo estabeleça suas regras e não tenha medo de dizer "não" pra sua visita e para a Laila também. Isso é respeito de espaço na prática. 

6. Na rua seu objetivo deve ser fazer uma caminhada estruturada. Você conduz o cachorro e não o contrário. O cachorro deve saber aonde se posicionar e acompanhar suas orientações. Durante a caminhada não existem paradas pra pessoas fazerem carinho, nem conflitos com outros cães. O cachorro deve priorizar sua orientação e ignorar as distrações. Seu papel é advogar pelo cão, orientando de forma justa, deixando claras as regras da atividade. 

Em resumo, todos os cães com reatividade na rua tem muitas outras questões a serem trabalhadas, especialmente dentro de casa. Considere todo o quadro, aplique as mudanças e seja consistente. 

Segue aqui um vídeo que demonstra uma técnica bacana que pode ser usada em casos como o seu, quando o cão tem pouca referência no condutor. No vídeo o cão já está numa fase intermediária do treinamento mas já consegue passar por outro cão sem o momento de explosão. O condutor vira de frente para o cão quando o outro cachorro se aproxima para deixar claro o contato visual de orientação, porém, considere que nesse caso, o cão já está sendo trabalhado com a prong collar e a e-collar no treinamento. 

Espero que tenha ajudado. Lembre que toda modificação comportamental requer dedicação, paciência e consistência. Não existe mágica. Pra ter um cão diferente precisamos fazer diferente, todos os dias.